Ramphocelus é um gênero de aves passeriformes da família Thraupidae. Composto no Brasil por 3 espécies da mais alta beleza pela plumagem vermelha chamativa, com a base da mandíbula branca. O tiê-sangue se destaca por apresentar uma plumagem mais vistosa de um vermelho bastante intenso. Porém, pipira-vermelha e pipira-de-máscara quando o quesito é plumagem não ficam atrás pela graciosidade de suas cores. As três espécies chamam, também, muita atenção pelo bico bastante pronunciado e com aspecto na cor prata. Em outros países da América Latina são ainda encontradas outras espécies do gênero, como Ramphocelus flammigerus, R. costaricensis, R. passerinii, R. melanogaster, R. dimidiatus, R. sanguinolentus, todas com partes do corpo no vermelho característico do gênero e branco na mandíbula.
No tiê-sangue, a plumagem do macho é de um vermelho-vivo, que lhe deu origem ao nome. Parte das asas e da cauda são pretas. A espécie apresenta dimorfismo sexual, sendo a plumagem da fêmea menos vistosa, de cor parda nas partes superiores e marrom-avermelhada nas inferiores. O macho imaturo é semelhante à fêmea na plumagem mas o bico é totalmente negro e não pardo. Uma característica importante do gênero Ramphocelus, e que ocorre exclusivamente no sexo masculino, é a calosidade branca reluzente na base da mandíbula.
Apesar da beleza da plumagem, essa espécie não é considerada entre as que possuem canto mais bonito. A vocalização de chamada (ou advertência) é muito dura. O canto é um gorjear melodioso e trissilábico, que costuma ser repetido sem pressa. Às vezes, alguns indivíduos vocalizam juntos.
Seu comportamento é semelhante ao da pipira-vermelha(Ramphocelus carbo), porém vive mais aos pares do que em pequenos grupos. Costuma freqüentar comedouros.
Encontrado exclusivamente no Brasil, da Paraíba a Santa Catarina. Varia de incomum a localmente comum em capoeiras baixas, bordas de florestas, restingas e plantações, às vezes também em parques e praças de cidades. Existem duas sub-espécies: R. b. bresilius e R. b. dorsalis. A primeira ocorre da Paraíba ao sul da Bahia. A segunda apresenta a plumagem do dorso mais escura e ocorre do sul da Bahia a Santa Catarina. Pela ampla área de distribuição e quantidade de indivíduos registrados, essa espécie é considerada como Pouco Preocupante (LC) de extinção na natureza.
A pipira-vermelha mede cerca de 18 centímetros. A grande característica da espécie é a base branca do bico do macho. Parece uma peça de porcelana, pelo brilho e formato. Fêmeas e machos juvenis não a possuem. Nesses últimos, o bico vai adquirindo, pouco a pouco, a coloração final, Desse modo, algumas aves com plumagem feminina e base do bico destacada podem ser os machos juvenis. Nos machos, o negro domina a plumagem do corpo, com tons avermelhados na parte da frente. O vermelho destaca-se conforme a iluminação do local e aumenta de intensidade em aves tomando sol, quando as penas são afastadas entre si, algumas na cabeça parecendo cabelos, ao serem eriçadas. As fêmeas e machos juvenis apresentam o negro na parte superior do corpo e as partes inferiores lavadas de marrom avermelhado. Vários machos estão presentes nos bandos, o que permite logo a identificação da espécie, caso haja dúvidas quanto à fêmea.
No baixo Amazonas costuma ser a espécie mais abundante, influindo consideravelmente nesta impressão o hábito de viverem em pequenos grupos.
Durante os deslocamentos, emitem uma nota alta, metálica e rápida, para manter contato entre si. Na eventualidade de qualquer perturbação, esse chamado é utilizado como alarme e todo o bando começa a piar junto, enchendo o ambiente com esses pios. Aproximam-se da origem da perturbação e, graças ao alarido, outras espécies fazem o mesmo, às vezes facilitando a observação. Chega a ser surpreendente o número de pipiras de um bando, depois que começam a aparecer.
Costumam andar em grupos de até 20 aves pelas matas ciliares, matas secas, cambarazais, cerradões, vegetação ribeirinha, capoeira baixa.
Espécie amplamente distribuída na Amazônia, é um pássaro comum nas capoeiras do Norte do Brasil e países vizinhos, distribuindo desde as Guianas e Venezuela até a Bolívia, Paraguai e Brasil Amazônico, estendendo-se do leste até o Piauí e para o sul pelo Brasil central até o oeste do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul.
A pipira-de-máscara mede 16 centímetros de comprimento.
Habita capoeiras e matas ralas ao longo de rios e lagos. Vivem aos casais ou em grupos familiares e têm hábitos similares a outras espécies do gênero Ramphocelus.
Presente no alto Amazonas ao oeste do Pará.